Face ao registo de novas ocorrências em maio e junho de 2026, reforçamos o alerta anteriormente divulgado sobre a atuação de empresas que continuam a contactar consumidores em vários concelhos do país, incluindo Tavira, com o objetivo de vender equipamentos para colocação na torneira (como filtros), recorrendo à marcação de falsas análises de água.
Segundo relatos de consumidores, estas empresas contactam por telefone e agendam visitas domiciliárias alegando prestar esclarecimentos sobre a qualidade da água. Durante estas visitas, recorrem a experiências e testes que induzem a ideia errada de que a água distribuída pela rede pública é de má qualidade, explorando o argumento da saúde como fator de pressão.
Uma das demonstrações mais frequentes é a eletrólise da água da torneira, processo que separa elementos químicos através de corrente elétrica. Importa esclarecer que a água da torneira destinada ao consumo humano é natural, tratada, mineralizada e equilibrada, contendo sais essenciais como cálcio, ferro, magnésio, sódio e potássio. Por isso, a eletrólise forma uma camada castanha, resultante da separação dos elementos naturalmente presentes — não é sinal de contaminação.
Já os aparelhos comercializados por estas empresas utilizam processos como osmose inversa ou permuta iónica, que removem os sais dissolvidos. Assim, quando se realiza eletrólise dessa água, não se forma a camada castanha, criando uma comparação enganosa para o consumidor.
É fundamental reforçar que a água resultante da passagem por estes aparelhos é pobre em sais minerais essenciais e não é aconselhável para consumo humano.
A água distribuída pelas entidades gestoras é sujeita a análises rigorosas, realizadas diretamente na torneira do consumidor, conforme o Decreto-Lei n.º 69/2023, e fiscalizadas pela ERSAR. Os resultados são divulgados trimestralmente e as entidades são alvo de inspeções regulares.
Por todos estes motivos, reafirmamos que a água destinada ao consumo humano, distribuída pelas Entidades Gestoras, não deve ser sujeita a tratamentos adicionais por iniciativa do consumidor, uma vez que já é devidamente controlada e adequada ao consumo.